Wednesday, July 29, 2009

29/07/2009 - Sorvete com Chocolate by Ricardo da Artigolandia

Foi esse o texto que me fez pensar na minha vidinha como falei no post anterior:

"Quando eu era pequeno, lá na Interiorlândia, eu conheci a menina da bolha. Era engraçada, muito engraçada a menina da bolha. Desde o apelido, Pitunilda, até o jeitinho de rir, era engraçada. A Pitunilda era uma personagem única. Imagine alguém que só come chocolate e sorvete. Chocolate e sorvete. Fora isso, era na livre e espontânea obrigação.

Mas ela escutava Zé Ramalho. Comia sorvete e chocolate, era pequena, magrinha, baixinha, frágil, mas você corria risco real de vida se contaminasse ela. Ah se contaminasse ela... Dizem a boca pequena, lá na Interiorlândia, que beijo na boca para a Pitunilda era como participar de "No limite". Dizem. Muito amigo eu fui da Pitunilda, sempre curioso acerca da evolução daquela pequena notável. Tímida, extremamente tímida, com aquela risada engraçada, comendo chocolate e sorvete. Soube de um caso, em que alguns amigos foram recebidos na casa da Pitunilda para comer um bolo, de chocolate. Reza a lenda que um daqueles mais salientes (que toda festinha contempla) esboçou se jogar na cama da Pitu. Esboçou. Esboçou porque os físicos se enganaram, e o som do grito sozinho não só segurou o saliente no ar, como também colou o cidadão no guarda-roupas. Pasmem, não era rosa, o guarda-roupas.

Então veio a universidade, a mudança para a Capitalândia e a dúvida: Como a Pitunilda ia reagir a todo esse grau de contaminação!!! Nos primeiros anos, ela surfava no bus. Isso, surfava. Porque ela não podia encostar nos bancos. Nem nas barras de segurança. Nem nas pessoas, a menos que fossem as amigas dela. Então concluí que a bolha seria eterna. Só mesmo chocolate e sorvete.

A vida seguiu, a Capitolândia e seu corre-corre acabou por afastar as turmas, e perdi o contato com a Pitunilda. Até o dia que, em uma balada das fortes, eu vejo aquela cena estarrecedora: Recostada em um pilar (veja bem o grau de contaminação!), cerveja na mão direita, cigarro na mão esquerda está Pitunilda! Sem bolha, sem sorvete, sem chocolate, e pior: Beijando na boca!!! Resisti alguns momentos, conferi, esperei a iluminação ambiente melhorar, e após afastadas todas as dúvidas me apresentei para recolher as risadas que a situação requeria!

Segui achando aquela cena, de décadas atrás, chocante. Mas a Pitunilda continuava a transformação. A menininha que de tudo tinha medo, acabou virando o mundo. Morou em vários países, chegou a ter 3 empregos, e hoje é uma destemida cidadã do mundo. Uma cidadã do mundo de verdade, não daquelas que lê na internet as facetas de cada lugarejo. Ela foi lá, conheceu e se contaminou com muitos recantos mundo afora! Ou todos aqui acham que é fácil se virar lá fora sem família, com poucos amigos, e chocolates de diferentes marcas! Sem falar do sorvete, que cada leite é um leite!"

Mais informacoes sobre o autor e textos IMPERDIVEIS na Artigolandia do Rico
http://artigolandiadorico.blogspot.com/

28/07/2009 - Eu mudei?

Quando eu sai do Brasil, ha mais de 4 anos atras, poucas pessoas acreditaram que eu fosse conseguir viver longe por tanto tempo. Lembro ate hoje que na minha mini-festa de despedida entre uns tchaus e outros a Jami me falou que achava que eu nao voltaria mais para o Brasil. Lembro que por um lado eu fiquei feliz pois alguem acreditava que eu seria capaz...

O Ricardo escreveu um continho para o blog dele falando a meu respeito... o quanto eu era "fresca" e como as coisas mudaram. Nao, eu nao mudei, eu aprendi a me virar. Eu aproveitei o maximo que pude as regalias que eu tinha pra depois me "ferrar" um pouco sozinha. Eu nao gostava de comidas em geral, nao comia carne moida, presunto, cebola, alho, temperos, nao comia nada, tomava leite com Nescau (me recusava a colocar na boca outra marca), so comia chololate da Nestle, sorvete da Kibom e bolacha recheada Nescau e Tostines e agua com gelo. Quando fui pra Porto Alegre, eu passei quase um ano sem andar de onibus pois tinha nojo, ninguem podia sentar na minha cama, se alguem olhasse pra mim eu ficava vermelha de vergonha, alias, eu tinha vergonha de tudo, de usar roupa de menininha, de me arrumar, apresentar trabalho na frente da turma entao, eu quase morria e, quase sempre dava um jeito de escapar...

No primeiro dia de aula de filosofia na faculdade de Direito, o professor pegou a chamada e sorteou 4 alunos que dariam as proximas 4 aulas. Pro meu azar (agora vejo que foi sorte) eu fui uma dessas sorteadas e tive que preparar uma aula de 50min e apresentar para 59 colegas... para a garota interiorana, isso era uma aventura e tanto na capital... mas, no final dos 50min o respiro aliviado de missao cumprida e os elogios do professor me fizeram ver que nao tinha sido tao dificil assim... e foi assim que eu perdi um pouco da vergonha.
Com o tempo eu fui me adaptanto com a vida na cidade "grande", andar de onibus, carregar comprar do mercado...

Eu aprendi a me virar e tenho orgulho de dizer que sou quase mestre nisso!!! Poucas sao as pessoas que sabem por quanta coisa eu passei quietinha... querendo um colo mas quietinha. Algumas pessoas que me conhecem aqui, que nao fazem ideia do meu passado de "contos de fada" dizem que me admiram pela forca que eu tenho, pela maneira como eu corro atras das coisas... Quem me conheceu antes, nao faz ideia do que eu sou capaz... Acho que nem as que me conhecem agora nem as que me conehciam antes tem razao... Acho que tudo isso eh natural, as coisas vao acontecendo, a tua mente vai abrindo e tu passa a dar mais valor a certas coisas, e menos importancia pra outras e isso vai sempre mudando conforme a situacao...

Se eu nunca tivesse saido do Brasil, talvez hoje eu seria uma diretora de arte trabalhando em uma agencia, ganhando meu dinheirinho, talvez ainda teria um monte de frescuras (ainda tenho, ainda nao como presunto, nao posso ver cebola na comida, ainda passo dias so tomando leite e comendo pao...), talvez nao... mas hoje tou aqui, cuidando de nenes, trabalhando como bartender, ganhando minha vida, aproveitando meu tempo livre, conhecendo lugares, pessoas e eu sou feliz assim! Ate quando eu nao sei, mas no momento eu tou onde deveria estar, orgulhosa de mim mesma e pronta pro que vier pela frente! Que ate acampar eu ja acampei! E adorei!

Sunday, July 05, 2009

03/07/2009 Volcano

Rapidinhas:

- Esses dias tava dando banho no Thomas, ele sentadinho na banheira, eu esfregando as costas dele e ele brincando com o pintinho dele.. puxando daqui, dali.. eis que puxa com as duas maozinhas o seu pintinho e diz: Hey Lia, look, it looks like a volcano!!! (se referindo ao pintinho...) na hora eu so pensei: Amigo, espera uns anos e tu vai ver o que teu vulcao eh capaz (ou nao, levando em consideracao a descendencia japonesa...)

- Chapelaria em bar so existe mesmo no Brasil. Nao lembro de ter visto em nenhum outro bar ou boate que eu fui nas minhas andancas algo parecido com um "guarda-volume". Eu sou brasileira e nao deixo minha bolsa dando sopa em festa quase nunca (salvo situacoes de ingestao de alcool exageradas), entao as vezes sinto falta de pagar um pouquinho pra me livrar do incomodo...

- O Thomas foi para um soccer camp e, no meio das brincadeiras caiu de um muro, bateu a cabeca e teve que ficar um dia no hospital em observacao. Ele nao tava comigo quando aconteceu (gracas a Deus) mas mesmo assim eu fiquei muito preocupada... quem diz que ser nanny eh facil, nunca cuidou de uma crianca um dia inteiro!

- O Michael agora me chama de Mommy Lia... a mae dele ta com muito ciumes. Ele acha tudo assustador e viu um desenho animado (bem de criancinha) que tinha um trem com fantasmas e ficou semanas falando nos ditos ghosts.. ele ia dormir e acordava de madrigada assustado e em vez de chamar a mae chamava por mim... no quarto dia que ele acordou me chamando a Sonya disse pro marigo que ia ter que me despedir... (isso ela me contou).. mas por um lado foi bom pois agora ela ta participando um pouco na vida das criancas.. fica uma meia hora do dia com cada uma mais ou menos...

- Velha reclamacao de sempre: Nao confie em brasileiros nos EUA! Fiquei sabendo de umas historias de fofocas que prejudicaram 2 amigas minhas que me deixaram de boca aberta... Aqui eu confio na Ju, Amanda, Julinha e agora na mais nova amiga a Fer... de resto, como diz o ditado, "que paguem a vista"...

- Lembrei esses dias de uma discussao que tive no tempo da SEARS:
Uma mulher chegou e eu carimbei o ticket dela com o horario de entrada. Ela ficou puta da cara pois dizia que o carimbo estava com hora diferente do relogio dela, tava 10min adiantado. Eu tentei explicar pra ela que isso tava ok, pois na hora que ela fosse sair o meu relogio continuaria 10min adiantado em relacao ao dela e ela nao entendia... Eu dizia pra ela que era impossivel o meu relogio estar exatamente igual aos 300 carros que tinha no estacionamento, mas que o que importava eh que ela tinha 1h de estacionamento gratis e que se ela ficasse 60min ela nao precisaria pagar... ela continuou nao entendendo e eu escrevi no ticket que ela tinha 10min de bonus... Essa ai se perguntarem se 1Kg de algodao pesa mais que 1Kg de ferro vai brigar ate a morte que 1Kg de ferro pesa mais...

- Ia fazer um post separado, mas nao tou afim de escrever:
Michael Jackson morreu! No dia que eu vi ele pessoalmente a primeira coisa que eu pensei foi: ta ai uma pessoa que eu achei que ia morrer e eu nunca teria visto pessoalmente... foi por pouco!

- Estou com muita vontade de fazer uma trip pelo mundo inteiro... Se eu tivesse um pouco mais de coragem e menos preocupacao com o futuro, acho que largaria tudo e iria perambular pelo mundo... Lembro quando eu morava em Frederico, no auge dos meus 13 anos quando eu atravessava a cidade pra ir na padaria comprar pao todos os dias as 5 da tarde e eu encontrava o Evans e ele sempre dizia que eu era a "andarilha solitaria"... mal sabia ele que na volta da padaria, do lado da Igreja tinha um alguem me esperando pra me dar um beijinho e eu voltar pra casa... Queria tar fazendo isso mundo afora... andando pra la e pra ca, trabalhando um pouco, viajando outro pouco, conhecendo uma ou outra pessoa, sem um destino certo...